viernes, 2 de octubre de 2009

Cheias e Orla do Guaíba


Complementando os aspectos abaixo mencionados, alerto para o fato de que é necessária uma política de gestão ambiental para toda a bacia do Guaíba. É necessário implementar o Código Florestal Federal, recompondo as matas ciliares e realocando as populações e atividades econômicas ali existentes. É certo que isto demandará pesados investimentos públicos; por outro lado, não fazê-lo significa enfrentar um custo econômico muito maior, tanto em termos de prejuízos diretos com as enchentes, como com o custo de subsidiar as populações afetadas. Além disso, a inexistência das matas ciliares e de proteção aos cursos d'água também implica em custos maiores de tratamento da água, bem como na diminuição da quantidade de água disponível em épocas de seca.

Monika Naumann
Eng. Florestal / Gestora Ambiental
http://matasnativas.wordpress.com/




Cheias e Orla do Guaíba

Senhores Vereadores,

Sugiro a Vs.Ss. que requisitem algumas lanchas da Brigada Militar e façam um tour por toda a bacia do baixo Jacuí e Guaíba.

Assim, poderão aquilatar o quanto de leviandade há nos mega projetos construtivos do Executivo em relação à orla de nosso rio, que é sujeita a cheias cíclicas, algumas calamitosas, como se está anunciando a presente.

Mais irresponsável ainda é a proposta conjunta município-estado em relação ao Cais da Mauá, contemplando a derrubada ou baixamento do Muro, que não é um muro, mas um dique que usou de tecnologia de ponta quando de sua construção nos anos 80 (fiz reportagem a respeito para a revista de engenharia, A CONSTRUÇÃO e acompanhei as obras).

Foi falado, na audiência pública de quinta-feira, da enchente de 1941, como se fosse a única da história da nossa cidade, embora fosse recordista em toda a bacia. Certamente, os senhores edis são jovens demais, para terem vivido os dramas em 1963, em plena realização da Universíade; as enchentes dos 70, durante as obras do projeto Cura em Porto Alegre; as cheias dos 80, em que a zona Norte ficou totalmente dentro dágua, a partir dos Navegantes, Vila Farrapos, etc. Tivemos, a seguir, um outro também dramático ciclo de estiagens e secas, que parece ter passado uma esponja nas memórias portoalegrenses.

Se pior não sofremos, foi graças aos diques, e à retomada do bombeio das águas (tempos atrás, as casas de bombas estavam inoperantes). Lembremos que o Centro de Porto Alegre está totalmente impermeabilizado. Que o rio Guaíba corre por baixo dos edifícios da zona Central (foram precisas obras especiais para a construção da atual Caixa Econômica Federal na praça da Alfândega, em pleno aterro).

Propor prédios na beirinha do cais - fora o absurdo de construir junto a uma rodovia como a Castelo Branco e à Estação Rodoviária, hotéis, residências e escritórios, que não terão um minuto de repouso - é, sem dúvida alguma, uma irresponsabilidade civil e cívica, e até mercadológica.

Não culpo os técnicos da Prefeitura, sujeitos aos jogos políticos e entendimentos de grandes capitais, mas responsabilizo os senhores vereadores pelo despautério do caso Pontal (ilegal e debaixo dágua), esperando que não piorem seu desempenho, aprovando as tolices do projeto do cais, que está precisando, isso sim, de uma Gestão responsável que o reconduza a sua verdadeira função: a portuária.

Um porto comercial não impede atividades turísticas. Ressalvadas as questões de segurança das operações, pode perfeitamente abrigar tanto área de alimentação típica, como comércio a varejo de produtos de importação e exportação, como já acontece nos aeroportos, e eventos culturais. Os próprios navios são atrativo turístico na maioria dos portos do mundo.

Então, por favor, olhem sua cidade ao vivo, ao natural, não apenas na falácia dos empreendedores, que estão muito necessitados de financiamentos e empréstimos diversos, ou tomada de dinheiro do mercado consumidor, uma vez que boa parte deles foi envolvida no crack hipotecário do ano passado.

Respeitem a população de Porto Alegre. Há milhares de hectares disponíveis no município, estocados nas mãos de especuladores contumazes, que deveriam desová-los para o alojamento correto e definitivo das populações ribeirinhas e sediadas em áreas de riscos.

Ricos não precisam do empenho de vocês para fazerem leis que os favoreçam. Porto Alegre precisa de uma Câmara que se ocupe de seus reais problemas em Habitação Popular DECENTE; Saúde; Educação; Segurança; Emprego; Fortalecimento da Área Rural; Transporte Coletivo de qualidade; Engenharia de Trânsito inteligente, que impeça o atulhamento de nossas ruas centrais e radiais com estacionamentos privados e garagens de rua, mais os caça-níqueis que são as áreas azuis, que impedem a circulação fluída de pedestres e veículos..

Por favor, Vs.Ss. estão ainda no primeiro ano deste mandato: corrijam suas inadequações enquanto é tempo.


Tania Jamardo Faillace
escritora e jornalista